A Fundação da Torre de Marfim

A Fundação da Torre de Marfim

Trechos do livro Mind’s Eye Theatre: Vampire The Masquerade Ed. 2013.
Tradução livre por BNS Project.

No jogo de rainhas e reis, devemos sacrificar a nossa compaixão no altar da certeza inexpugnável. Para governar sabiamente, é preciso governar completamente. Justiça não tem piedade.

– Hardestadt, ancião Ventrue, Fundador da Camarilla.

Em 1381, um bando de camponeses ingleses se rebelou contra o seu senhor local, provocando uma grande revolta em toda a Inglaterra. As forças lealistas de Richard II acabaram rapidamente com a Revolta dos Camponeses, mas o conflito chamou a atenção e o apoio de um grande número de vampiros jovens e frustrados que simpatizavam com os mortais oprimidos. Esta inspiração ficou latente por uma década antes que provocasse a Primeira Revolta Anarquista.

Em 1394, o ancião Ventrue Hardestadt e a Concelheira Tremere Meerlinda, reuniram os mais influentes anciãos da Europa para discutir o assunto; eles propuseram um plano ousado para criar uma organização às sombras que controlaria os mortais. Vários vampiros potentes, inclusive o Príncipe Mithras de Londres, rejeitaram esta sugestão sem desejar ceder nenhuma autoridade locai. Outros anciãos saboreavam o plano, mas temiam agir enquanto a Inquisição os perseguisse abertamente. Assim, a proposta foi em grande parte esquecida, exceto por alguns vampiros ambiciosos que eventualmente formaram a coterie conhecida como Camarilla.

Um grupo inteligente de neófitos Tzimisce desenvolveu um ritual místico (mais tarde chamado de Vaulderie) que quebrou o laço de sangue através de um vínculo de sangue comunal mais fraco. Inspirados pela insolência de Tyler e reforçados pela Diablerie de seus anciãos, a juventude rebelde, agora chamada Anarquistas, percorreu a Europa, devastando o trabalho de séculos e reivindicando o sangue de seus Senhores. No auge da loucura, os rebeldes destruíram o Antediluviano Lasombra e alegaram destruir o próprio Tzimisce também. Ansiosos pela oportunidade de diablerizar anciãos Europeus, os Assamitas se juntaram à luta ao lado dos Anarquistas.

Os incêndios da Inquisição continuaram a queimar mortos-vivos, enviando inúmeras grupos de neófitos à morte, à medida que os anciãos se esconderam da violência. Muitos acreditavam que uma guerra final com os mortais era a única opção para a sobrevivência. Inspirados na tragédia da Revolta dos Camponeses, as crias começaram a tramar a traição contra os seus anciões. Um jovem Brujah chamado Tyler liderou uma coterie de desafiadores neófitos no primeiro golpe, um cerco contra o Castelo de Hardestadt, onde mataram e tornaram com a Diablerie um número desconhecido de anciãos Ventrue.

Cercados por todos os lados pelos Anarquistas e pela Inquisição, Hardestadt solicitou uma segunda convocação de anciãos em 1435. Ele propôs um acordo, segundo o qual certos vampiros receberiam autoridade para cruzar os clãs e linhas territoriais para lidar com as questões que ameaçam a sociedade vampírica como um todo. Pequenas preocupações com a autoridade local mais uma vez ameaçaram matar qualquer progresso em direção a uma solução. Fiel à forma, a maioria dos anciãos ofereceu pouco mais do que o ceticismo e preparam-se para sair para seus próprios refúgios seguros e esperar a tempestade passar, da mesma forma que haviam resistido inúmeras provações pelos séculos.

No final, Rafael de Corazon, então um Toreador não impressionante que se utilizava do nome respeitado de sua Senhora, teve a chance de dirigir-se aos anciãos da convocação. Ele recitou a sexta lei de Caim. "Nunca reveles a tua verdadeira natureza aos que não são do sangue. Fazer isso renunciará às tuas reivindicações à minha aliança".

Suas palavras foram recebidas com um duro silêncio, mas Corazon não cedeu mesmo quando vaiado ou ameaçado. Ele continuou a recitar a Sexta Tradição e depois repreendeu os anciãos por permitir o abandono da tradição que manteve a todos seguros. O discurso apaixonado alcançou até as mentes mais fechadas.

Hardestadt usou a abertura que o Corazon forneceu para impulsionar a ideia de que a Sexta Tradição, agora renomeada como a Máscara, precisava ser aplicada por uma nova organização das sombras.

Dentro de algumas décadas, esses sete Membros, agora conhecidos como Fundadores, persuadiram uma coleção substancial de anciãos a se juntarem a sua causa. Os Fundadores precisavam de uma força militar unificada para combater os Anarquistas. Os anciãos controlavam suas próprias crias, carniçais, e agentes, mas claramente esses recursos já haviam falhado anteriormente. Se eles iriam sobreviver, os anciãos perceberam que precisavam coordenar seus esforços e combinar suas forças em uma unidade militar coesa. Mais tarde, esses guerreiros foram apelidados de Myrmidons com base nos soldados que seguiram Aquiles na Guerra de Tróia.

Os Fundadores comandaram juntamente aos Myrmidons, e muitas de suas fileiras foram tiradas das próprias crias dos Fundadores. Eles foram responsáveis por proteger os Fundadores sempre que estes se encontraram para discutir seus planos e objetivos; mas, mais do que isso, eles foram regularmente enviados em missões de terror e assassinatos, visando os mais conhecidos líderes dos Anarquistas. Tyler conseguiu esquivar-se de meia dúzia de tentativas de assassinato, mas seus companheiros líderes não tiveram tanta sorte.

Inspirados pelo sucesso dos Myrmidons, os anciãos organizaram coteries de guerra pelas de linhas de clãs, reunidas ao redor do mundo conhecido, vinculadas com o único propósito de parar os Anarquistas. Descontentes com a interrupção de suas linhas de comunicação e comércio, o Seguidores de Set ajudaram um número dessas coteries com suprimentos, informações e assistindo em viagens por terras perigosas.

A certeza do perigo finalmente uniu os anciãos em um propósito comum, e eles começaram a recuperar o terreno de suas frágeis crias. Uma vez que os Myrmidons finalmente descobriram a localização secreta da lendária Alamut, a fortaleza secreta dos Assamitas, a morte da Revolta Anarquista estava praticamente garantida.

Em 1493, os líderes do Movimento Anarquista foram derrotados pelo poder da Camarilla. Os Fundadores organizaram uma convenção para negociar com os Anarquistas. A Convenção de Espinhos foi convocada em uma abadia na Inglaterra, e lá os Anarquistas aceitaram termos da rendição. O Tratado de Espinhos permitiu que os Anarquistas cedessem a Camarilla como crias pródigas sob os auspícios de uma organização subordinada dentro da Torre do Marfim.

Os Assamitas se renderam ao invés de enfrentar a extinção. Os Fundadores foram menos amáveis com os Assamitas e os puniram com os termos estabelecidos no Tratado de Tyre, que formalmente limitavam seus movimentos e práticas. Em uma tentativa de provar sua lealdade à Camarilla, os Tremere lançaram uma enorme maldição sobre os Assamitas que os impediram de obter sustento - ou os benefícios do Diablerie - ao beber sangue vampírico.

Este gesto poderoso era necessário para que os Tremere pudessem superar a desconfiança e as preocupações dos outros vampiros. Os argumentos contra a aceitação do Tremere eram numerosos, incluindo o fato de que aliar-se com os Tremere faria com que a Tzimisce sempre fossem inimigos da Camarilla. Lutar junto aos Feiticeiros durante a Revolta Anarquista foi visto como uma necessidade, mas muitos se recusaram a uma aliança formal com os Usurpadores, enquanto os outros clãs se lembravam em particular do implacável massacre do Clã Tremere contra os Salubri. Alguns culparam os Feiticeiros pela praga que seguiu o abate dos gentis curandeiros.

Os Tremere, no entanto, estavam preparados para essas objeções; eles tinham planejado este momento há séculos. Eles construíram lentamente uma rede de dívidas, aliados e favores, especialmente com os Ventrue e os Toreador. Um número de Tremere tinha sido vital para organizar uma passagem segura para os anciãos em Viena. No final, a praticidade ganhou - era simplesmente muito conveniente ter os Feiticeiros e seu impressionante domínio da Taumaturgia como aliados. No entanto, a Camarilla insistiu em certas concessões para aceitar formalmente a aliança. O Clã Tremere foi forçado a assinar um juramento afirmando que liberaria todas as gárgulas escravas, destruiria o ritual usado para criá-las e nunca mais tentaria fazê-las. Assim, os Tremere se tornam o sétimo pilar da Camarilla.

Com essa consolidação do poder, a Camarilla entrou em proeminência como a força orientadora da sociedade vampírica. No entanto, a Convenção dos Espinhos não resolveu completamente o problema Anarquista. Uma facção extremista que se revelou na violência e desenvolveu um gosto por Diablerie recusou-se a retornar à mesma sociedade sufocante que os levou a se rebelar em primeiro lugar. Esses malfeitores rejeitaram a alegada paz e fugiram para a Escandinávia para cuidar de suas feridas e rancores. Quando ressurgiram de seu exílio auto-imposto, eles se reformaram na seita que se tornaria a oposição mais firme e sangrenta da Camarilla: o Sabá.