AGoiabeira

A Goiabeira

Um conto criado dentro das histórias vivenciadas no projeto M.E.D.O.

Escrito por: Rodrigo (Tenente)
Personagem: Infante
Criatura: Vampiro
Clã: Caitiff
Seita: Sabá

Farei um ritual criado pelo antigo sacerdote dos Dharbaaxos e todos nós seremos beneficiados!

Não sabia que monstros tinham sonhos, também não sabia que poderiam ser aterrorizantes. Apenas uma árvore, uma “simples” goiabeira e um terror e um poder, uma visão aterradora.
Na noite seguinte, Malik e eu fomos ao terreiro local, havia lá uma goiabeira, nós a derrubamos! O temor a e sensação ruim não desapareceram, não era aquela árvore, não era qualquer árvore, a sensação agonizante parecia me sufocar.
Depois de  intensa busca, chegamos há uma fazenda, me senti guiado até ela, a goiabeira. Havia algo semelhante a um túmulo no local, começamos a cavar, Malik entrou na cova, eu fiquei cobrindo sua retaguarda, até que vimos a criatura, estava adormecida, seu corpo estava totalmente engolfado por arames farpados, o modo como foi feito, dava a impressão de que os arames eram samambaias e que a natureza os estava envolvendo.
MEDO era o sentimento, como se algo terrível estivesse prestes a acontecer, Malik tirou o corpo da cova,  contatamos Al-fahid para que se juntasse a nós e nos auxiliasse na resolução desta questão.
Al-fahid chegou rápido, Malik queria deixar a criatura sob nossos cuidados e ir a cidade pesquisar sobre o que ele disse ser um ritual usado para prender a criatura. Eu questionei.

-Não vou ficar aqui com isto e se esta coisa acordar?

Malik hesitou e Al-fahid disse:

-Deveríamos mata-lo, isto parece ser coisa de infernalista!

Ficamos pelo menos os próximos quarenta minutos discutindo o que fazer com a criatura, até que Malik disse:

-Vamos bebê-lo! Todos nós!

Al-fahid retrucou:
- Isto não pode ser feito deste jeito, apenas um receberá os benefícios....

Malik o cortou:

Farei um ritual criado pelo antigo sacerdote dos Dharbaaxos e todos nós seremos beneficiados!

Estas bruxarias dos vampiros não me são de todo compreensíveis ainda, bebemos de tempos e tempos o sangue uns dos outros, através de um negócio... errr ritual que o Malik chama de Valderie. Mas desta vez foi algo mais sombrio e bizarro, ele ordenou que eu começasse a sugar o sangue da criatura, quando eu estava prestes a ingerir a essência de sua vitalidade, assim como fiz com padre, Malik me tirou de cima do corpo e começou a cortar o peito dele, o desenho que Malik fazia durante seu recorte lembrava muito uma flor, vários pequenos alfinetes, se alinhavam em direção ao centro e aos poucos, as pétalas se abriam deixando a mostra o coração da criatura. Eu estava em euforia pelo prazer do sangue consumido, tentando resistir ao meu desejo de terminar com a existência daquela criatura. Malik removeu o coração do corpo e o colocou dentro de uma metade de coco, ela então começou a esmurrar e amassar o coração da criatura, enquanto pronunciava algumas palavras, acho que em ioruba, caminhou até Al-fahid e lhe pediu que derramasse seu sangue, o fez comigo também, voltou a sua posição original, o corpo estava ao solo centralizado entre nós que formávamos um triângulo em volta dele.
Malik voltou a falar em ioruba enquanto o sangue misturado ao coração esmagado parecia ferver dentro do coco. Quando ele abaixou os braços e o levou ao centro era um líquido negro e espesso em forma de uma flor de diversas e pequenas pétalas que haviam se formado ali. Malik bebe e um terço das pétalas desaparece, Al-fahid bebeu agora dois terços das pétalas não mais estavam lá, eu bebi, e apenas um borrão negro em forma de sépala, sem qualquer líquido restou.
Não foi o mesmo que quando eu consumi o sangue e a vida do padre, não me senti mais forte, não me senti mais poderoso, apenas senti o medo, minha face, a minha frente e eu a temia como se aquilo representasse meu fim. Não entendi o porquê de eu ver a minha própria face, tendo a clara sensação de que ela representaria minha morte.
Malik então buscou auxílio além deste plano,  começou a conversar com o ar, como se pudesse ver uma criatura intangível.  Ela nos disse ser Exú. O guardião da goiabeira!
A árvore segundo Malik estava em algo como um centro de energias místicas, como se o acesso daquele lugar a planos espirituais fosse mais poderoso. Não entendo destas coisas, mas como não acreditava na existência de vampiros há doze meses, quem sou eu para julgar ou duvidar da veracidade de Malik?
Ela levou Al-fahid e eu há uma viagem espiritual, onde tivemos a visão de que teria sido eu o raptor, algoz e responsável por tornar aquele humano um de nós, realizei o que seria um ritual para preservação daquele corpo, algo que com o tempo teria o peso do enobrecimento, semelhante ao que ocorre com algumas bebidas.
Não sei quando eu fiz, não como eu fiz, agora até parece fazer sentido, como seu eu fosse novamente capaz de replicar os passos, mas ainda não sei quem era aquela criatura, onde a capturei e nem me lembro de tê-la enterrado ali, mas sei que fui eu quem fiz aquilo com ela.
Um transe que durou em minha mente alguns poucos minutos, porém ao despertar, a sensação era de que haviam se passado semanas.
Haviam agora três covas em nossa frente, três corpos foram enterrados ali enquanto ainda estávamos em transe, ao buscar respostas com os olhos identificamos que a lua não estava mais em sua fase noite em que descobrimos original, na a árvore e o corpo, elas despontava cheia sobre nossas cabeças, com sua luz intensa, agora, ela já havia se tornado minguante, nada fazia sentido. Fomos tomados por uma intensa inquietude, Malik começou a cavar a vala em sua frente, Al-fahid começou a fazer o mesmo e eu atônito, mas com a clara certeza de que aquilo também havia sido feito por nós, permaneci imóvel observando enquanto desesperadamente eles cavavam as covas, até revelar  os corpos, inertes e presos exatamente do mesmo modo que o primeiro, seus membros esticados, o arame farpado enrolado por todo o corpo, dando a clara visão de samambaias entrelaçando-se e prendendo a criatura.
Malik se viu praticando o ritual, Al-fahid teve o mesmo pressentimento, o que deixou claro, conforme eu já havia deduzido que o corpo ainda enterrado a minha frente como sendo a minha  presa.
Malik ainda em contato com “Exu” trocou algumas palavras acredito que tentando buscar o entendimento, em seguida caminhou em direção a goiabeira e parada com a mão direita espalmada sobre o tronco da árvore, não mais se moveu ou proferiu qualquer palavra. Al-fahid e eu em silêncio observamos a situação por alguns minutos, então eu decidi acompanhar Malik, me aproximei da árvore com cautela, espalmei a mão e ainda que hesitante, a encostei em seu tronco.
Luz, uma intensa luz cegou meus olhos por alguns instantes e aos poucos minha visão foi retornando, duas silhuetas eram visíveis, a mais próxima, passei  a acreditar que seria de Malik, a segunda e mais distante, não completamente descritível, não parecia ser de Al-fahid. Busquei me manter calmo e entender onde eu estava e quem seria a terceira criatura no espaço, com os olhos busquei detalhes, enquanto minha visão ainda estava confusa, mas parecíamos estar em uma imensa sala branca e vazia. A sensação de uma grande manifestação de poder pairava no ar.

Continua...