Preparativos para o Grande Banquete

Um conto criado dentro das histórias vivenciados no Projeto M.E.D.O.

Escrito por: Thais
Personagem: Malik
Criatura: Vampiro
Clã: Serpente da Luz
Seita: Sabá

Acho que é a primeira vez que vejo esta pequena cidade tão agitada e me sinto um tanto incomodada... Estou sentindo falta da calmaria local.

Feriado de carnaval chegando...

Ouço a pequena cidade em que estamos alvoroçada com os grandes preparativos para a festa local...

Não se iluda com o tamanho, pois estamos escondidos em uma pequena cidade com poucos caipiras, em um local afastado de tudo, o que resume a superprodução em uma caixa de som, roupas coloridas e muita bebida para ser consumida na pracinha em frente a única igreja local.

Acho que é a primeira vez que vejo esta pequena cidade tão agitada e me sinto um tanto incomodada... Estou sentindo falta da calmaria local.

Veio-me a recordação do antigo padre Lasombra, consumido pelo Infante, e imagino que ele estaria tão incomodado quanto eu estou agora, vendo os "pecados" cristãos sendo arrumados em frente à igreja.

Sentada sob a goiabeira ouço o meu espírito servo, antigo morador do casarão onde estamos, me contando com euforia sobre a movimentação dos seus antigos funcionários e moradores de dia, enquanto Exu ouve sorrindo em pé, segurando seu caderno que eu tento entender o que tanto ele escreve.

Quem sabe um dia minha imortalidade termine e eu me transforme em um Exu também, com um misterioso caderno e o motivo para tê-lo finalmente em minha mente.

Minhas centenas de anos não me fizeram entender até hoje como estes mortais se satisfazem com tão pouco em sua estúpida existência... Penso nisso tentando analisar se toda esta conclusão não foi por causa de minha infância e início da fase adulta como escrava.

Naquela época eu não tinha tempo, folga, recursos ou muito menos motivo para ser alegre e feliz como estes mortais são. A menos que estivesse cultuando meus Orixás, que me deram forças naquele tempo para sobreviver e se conectaram a mim de forma muito mais clara depois que recebi o dom de Èsú Ejé.

Tento imaginar se estes caipiras conseguiriam sobreviver a todo o calor, castigo, trabalho e sofrimento que tive, agora com tantas facilidades e tecnologias. Chego à conclusão que são fracos demais para isso. A vida fácil os tornou fracos.

Meus irmãos se preparam para este dia (Infante em sentinela, preocupado que o feriado traga visitantes demais para o local, sempre de olho em quem entra e sai da cidade, Al-fahid no telefone fazendo alguma coisa de sua facção, que não me vem ao caso e Zimbu se preparando para sumir no mato) e eu me conecto aos Orixás para me preparar para a grande caça...

Para nós imortais o que seria o carnaval do que uma grande manada de sangue pronta para ser consumida?

Quero estar pronta para honrar as grandes forças da natureza e nosso grande Pai Èsú Ejé ...

E igual um tigre eu observo a manada a minha volta e começo a traçar minhas estratégias...

Enquanto eu faço esta reflexão, penso em como nosso pai, o primeiro imortal escolhia sua caça em seu tempo...

E a ele, junto com Iemanjá, a mãe de todos os mortais e imortais, peço instrução para que eu tenha êxito neste dia e para que me mostre quais "animais" são dignos das minhas presas.

Veja, como Sacerdote não devo sujar meu corpo com sangue impuro ou contaminado.

Os humanos são previsíveis e neste dia, serão honrados com a minha escuridão.

Preciso controlar em mim toda está explosão de energias e fluxos vibratórios e tomar cuidado com os espíritos alvoroçados e inquietos por causa desta data. Nada de muita dificuldade pois lido com eles a muito tempo.

Com a cidade se preparando para a festa, eu me preparo para o grande banquete...

Que comece a caça entre a grande cobra e os ratinhos perdidos na pequena praça barulhenta e colorida...